sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Senti-me enganada

Cresci com a ideia de que, se estudasse muito e tirasse um curso superior, a minha vida ia ser melhor do que a das pessoas que não fazem nada disso. Crescendo numa terra pequena, ainda por cima, esta máxima de vida é ainda mais evidente. Os pais fazem força para que tenhamos mais do que eles, sejamos melhores, tenhamos mais oportunidades. Numa cidade onde a maioria das pessoas tem o 4º ano de escolaridade, onde até muitos jovens têm apenas o 9º ano, ter um curso superior é sinónimo de ser alguém na vida, de ter possibilidade de alcançar mais. Por isso, assim fiz: estudei muito, batalhei, fui lá e tirei o meu curso superior. E depois?

Depois seguiram-se meses de frustração, muito desânimo e um período negro muito difícil. Senti-me enganada. Passaram a vida a dizer-me para estudar, que se tivesse um curso superior ia ter um bom emprego e uma vida melhor do que a dos meus pais e depois vi-me formada e sem emprego. Na maioria das vezes nem resposta recebia às minhas candidaturas e quando vinha alguma coisa, eram sempre nãos. Não podemos, não temos como, não há lugar para si, Sra Dra. Bela porcaria ser uma Sra Dra, se nem isso não me garantia um emprego. Até hoje não consegui nada na área e acho que desisti de procurar, pelo menos por agora. Faz hoje dois anos que acabei o meu curso e a felicidade que senti nesse dia foi o expoente máximo da minha carreira como profissional formada. Depois disso, a nível profissional só vieram dores de cabeça, chatices, burocracias, limitações. 

Sou infeliz por não estar a exercer a profissão para a qual estudei? Não, não sou. Sou muito mais do que a profissão que tenho ou possa vir a ter. A minha vida é baseada em muito mais do que o contexto profissional. E sou tão feliz agora, mesmo num emprego que nunca imaginei ter. Arrependo-me de ter estudado? Nos momentos de maior desânimo já cheguei a questionar esse percurso, mas não me arrependo nada de ter estudado. O conhecimento, as aprendizagens, as memórias, ninguém mas tira. O saber não ocupa lugar e é sempre uma mais valia a nível pessoal e profissional ter qualificações, ter estudos. E nada me impede de, um dia, ainda conseguir ser aquilo para o qual estudei. Tenho 25 anos e uma vida pela frente, ninguém sabe o dia de amanhã. Mas não é algo que procure agora, nesta fase da minha vida. Acredito que esta ferida já está sarada. Só não posso negar que me senti como se me tivessem a mentir a vida toda. Afinal de contas, fiz tudo direitinho a até agora não tive retorno. É uma sensação de impotência grande. E de injustiça, principalmente.
Por isso digo sempre: estudem porque querem aprender, porque gostam de estudar e querem ter esses conhecimentos. Escolham um curso que vos realize pessoalmente, a vossa paixão, e não a pensar no retorno que poderão tirar daí. Mas não pensem, nem por um segundo, que um curso superior é garantia de um emprego na vossa área, de uma vida melhor, porque, está mais do que visto, que já não funciona assim em Portugal.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Coisas boas a meio da semana de trabalho

Jantar com o namorado. Ter uma desculpa para tirar o pijama e as roupas de andar por casa e arranjar-me mais. A perspetiva de visita de um amigo querido para almoçar. Receber fotos da minha prima bebé. Conhecer um sítio novo. Manter a conversa com a amiga de sempre. Apanhar ar. Surpreender-me com um espaço. 

São (sempre) as pequenas coisas.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

I need to rest

Sei que algo de errado se anda a passar na minha vida quando ontem, deitada na marquesa a fazer depilação laser (que dói pra caraças, não sei se já vos contei), pensei cá para mim que aquele estava a ser dos momentos mais relaxantes dos meus últimos dias. Estar simplesmente ali deitada, ter alguém a "mexer-me", ambiente com temperatura controlada, e não ter que pensar em nada... Que luxo! Até a dor se tornou relativa. 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

There is no such thing as too many books| A rapariga no comboio by Paula Hawkins


Já sei que já toda a gente leu o livro mas eu sou sempre a atrasadinha. Quando as coisas são muito faladas eu fico sempre reticente e só depois de uns tempos é que lhes dou uma oportunidade. Nunca teria comprado este livro por isso mesmo, li pois foi emprestado por uma amiga. E ainda bem!

Sinopse (wook): Todos os dias, Rachel apanha o comboio... No caminho para o trabalho, ela observa sempre as mesmas casas durante a sua viagem. Numa das casas ela observa sempre o mesmo casal, ao qual ela atribui nomes e vidas imaginárias. Aos olhos de Rachel, o casal tem uma vida perfeita, quase igual à que ela perdeu recentemente.
Até que um dia... Rachel assiste a algo errado com o casal... É uma imagem rápida, mas suficiente para a deixar perturbada. Não querendo guardar segredo do que viu, Rachel fala com a polícia. A partir daqui, ela torna-se parte integrante de uma sucessão vertiginosa de acontecimentos, afetando as vidas de todos os envolvidos.

Para quem não leu, não vou dar spoilers, mas é um daqueles livros intrigantes que lemos em três tempos de tão envolvente que é. A história é dividida por dias e em parte da manhã e parte da tarde, referindo-se à viagem de comboio de ida e depois à viagem de regresso. É interessante e diferente. Temos três narradoras distintas e vamos conhecendo a história da perspetiva de cada uma delas. Gostei. Qualquer uma das personagens consegue ser interessante e cativante à sua maneira, mas a personagem principal, Rachel, é obviamente a que se destaca. Também não estava à espera daquele final, embora tenha lido já pessoas que dizem que sabiam logo que ia acabar assim. Só comecei a antever aquele final já a mais de metade do livro, por isso não acho que seja assim tão evidente como muita gente diz que é. Talvez sejam mais espertos do que eu, é possível :p
Achei interessante a mensagem de que não fazemos ideia de como é a vida dos outros, principalmente tendo só em conta aquilo que vemos e pensamos sobre eles. Por muito perfeito que tudo possa parecer, toda a gente tem os seus problemas, as suas falhas, nenhuma pessoa nem nenhuma relação são perfeitas. Interessante, tendo em conta que cada vez mais invejamos a vida dos outros só pelo que vemos nas redes sociais. 
Recomendo muito! 

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

I'm back

A semana passada correu mesmo bem! Estava receosa com a questão profissional mas correu tudo muito bem, sem qualquer problema. Ainda levei o computador, mas nem o liguei um único dia. Tinha imensos comentários a aguardar moderação, que já foram aprovados, mas tenho noção que demorou imenso. Nem tempo tive para ligar o computador, quanto mais ir ao blog fosse como fosse. E, sinceramente, estive tão ocupada com outras coisas que nem senti falta do blog. O tempo passou a correr e foi mesmo difícil dar atenção a tudo, mas pronto, esta semana já volta tudo ao normal. Muito trabalho, é certo, mas já por ambiente familiar e com as rotinas de sempre. Estou morta, sinto-me super cansada, mas a vantagem de trabalhar em casa é que hoje trabalho de pijama! :) 

Boa semana!

sábado, 11 de novembro de 2017

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

vivemos com pressa

Vivemos no mundo do imediato. Cada vez menos existem pessoas com paciência e contra mim falo, que sou impaciente por natureza. Mas acho que, cada vez mais, as pessoas têm pressa para tudo. A vida não pára e o ritmo de vida atual é muito corrido. Tentamos encaixar o máximo de tarefas possível nas horas de trabalho e depois no tempo de lazer. Queremos ser tudo e ter tempo para tudo. Daí que tenhamos cada vez menos paciência para esperar pelas coisas que, de facto, demoram.

Vemos pessoas sempre a bufar nas filas de supermercado ou aflitas a tentar passar à frente dos outros. Vemos pessoas sempre revoltadas com o tempo de espera nos serviços, nos restaurantes, nas compras, nos hospitais... Onde trabalho, há clientes que pedem informações ao fim do dia e ficam zangados por só darmos resposta no dia seguinte. Parece que não compreendem que todas as pessoas têm um horário de trabalho definido e que não podem esperar resposta imediata se fazem esses pedidos já depois de fecho. Todos temos os nossos horários, as nossas vidas. No meu tempo livre, também não gosto de perder tempo com coisas chatas, mas temos que saber esperar. Este ritmo frenético dá cabo de nós. Deixa-nos impacientes, stressados, revoltados, frustrados. Os prejudicados somos nós mesmos. Devíamos começar a ter mais calma e aprender a ser mais pacientes. Não ajuda nada ficar stressado ou ripostar. Cada coisa tem o seu tempo.

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

There is no such thing as too many books | Álbum de Verão by Emylia Hall


Confesso que este não seria um livro que eu compraria para ler. Foi uma amiga que me emprestou e ainda bem, porque gostei!

Sinopse (wook) : Beth Lowe recebe uma encomenda. Lá dentro há uma carta que a informa da morte da mãe, com quem cortou relações há muito tempo, e um álbum de recortes que Beth nunca tinha visto. Tem um título - Álbum de Verão - e está repleto de fotografias e lembranças reunidas pela mãe para recordar os sete gloriosos verões que Beth passou na Hungria rural quando era criança.
Durante esses anos Beth dividia-se entre os pais divorciados e dois países muito diferentes. A sua encantadora mas imperfeita mãe húngara e o seu pai inglês carinhoso mas reservado, a fascinante casa de uma artista húngara e uma casa de campo sem vida no interior de Devon, Inglaterra. Esse tempo terminou do modo mais brutal quando Beth completou dezasseis anos.
Desde então, Beth não voltara a pensar nessa fase da sua infância. Mas a chegada do Álbum de Verão traz o passado de volta - tão vivo, doloroso e marcante como nunca.

Como disse, gostei do livro. As primeiras páginas li com alguma relutância, mais a ver no que daria do que por prazer, mas depois comecei realmente a embrenhar-me na história. A personagem principal, Beth, tem um encanto especial na fase da adolescência e gostei especialmente do seu desenvolvimento nessa fase, enquanto adolescente. A mãe também é uma personagem cheia de vida, muito intensa. Não sendo uma obra prima da literatura, é um livro interessante, com uma história cativante e uma leitura muito fluída e simples. Recomendo.